sexta-feira, 10 de abril de 2009

Prisão

Numa noite longa e tormentosa
Em que o tempo parou sua hora
Tive minha liberdade perdida
Para jamais conhecer a aurora

Trancado numa cela fria
Não via nem poderia
Perceber o alternar da noite e dia.

Para que serve a prisão?
Isolar da sociedade o criminoso!
Pode um homem no segundo de um ato,
Transformar-se em ser tão odioso?

Para que serve a prisão?
Atribuir um mal a outro mal cometido?
Retribuir o que de errado se praticou?
Conserta-se o erro com o castigo infligido?

Para que serve a prisão?
Arrancar da alma a ilusão!
Retirar da vida o coração!
Inserir no peito o gérmen da podridão

Com o espírito apodrecido
Não pode o homem refletir
Por este ciclo, assim embrutecido,
Não haverá nunca o progredir

Mergulhado em espiral de destruição
Desligar-se-á de qualquer motivação
O espaço será só violência
Longe de si e de sua consciência

A verdadeira punição
É a que traz redenção
Nunca desintegração!
Mas o eu em construção.

Nenhum comentário: