terça-feira, 28 de setembro de 2010

Enquanto apanhares o que tu mesmo jogaste


Rainer Maria Rilke (1875-1926)



Enquanto apanhares o que tu mesmo jogaste,
Tudo será simples habilidade e insignificante ganho;
Apenas quando subitamente tornares-te o apanhador da bola
Atirada a ti por eterna companheira de jogo
Dirigida a teu interior, num acurado
Movimento habilidoso, num daqueles arcos
De Deus em sua grande construção-ponte:
Somente então é que apanhar é um saber poder
Não teu, de um Mundo. E, se tu, talvez,
Perceberes não ter força e coragem de arremessar de volta,
Maravilhoso: Se, força e coragem esquecidas por ti,
Já fizeste o lançamento (como o Ano
Arremessa os pássaros, revoada errante,
Do mais velho ao mais novo, em direção ao calor,
Por sobre os oceanos – ) somente então
No arriscado jogo tu ousarás participar em conjunto
Não mais arremessarás lances fáceis; não o
Farás mais difícil. De tuas mãos sairá
O voo de um Meteoro e descansarás com sua partida...



Rilke, Rainer Maria . Enquanto apanhares o que tu mesmo jogaste (Solang du Selbstgeworfnes). Die Gedichte. Muzot, 31.Janeiro.1922. Tradução: João Ibaixe Jr


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Original:

Solang du Selbstgeworfnes fängst, ist alles
Geschicklichkeit und läßlicher Gewinn -;
erst wenn du plötzlich Fänger wirst des Balles,
den eine ewige Mit-Spielerin
dir zuwarf, deiner Mitte, in genau
gekonntem Schwung, in einem jener Bögen
aus Gottes großem Brücken-Bau:
erst dann ist Fangen-Können ein Vermögen, -
nicht deines, einer Welt. Und wenn du gar
zurückzuwerfen Kraft und Mut besäßest,
nein, wunderbarer: Mut und Kraft vergäßest
und schon geworfen hättest..... (wie das Jahr
die Vögel wirft, die Wandervogelschwärme,
die eine ältre einer jungen Wärme
hinüberschleudert über Meere -) erst
in diesem Wagnis spielst du gültig mit.
Erleichterst dir den Wurf nicht mehr; erschwerst
dir ihn nicht mehr. Aus deinen Händen tritt
das Meteor und rast in seine Räume...



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OBS: traduzido por mim a partir de discussões em um fórum internacional em língua inglesa sobre os poemas de Rilke com base no original alemão. A primeira parte do poema encontra-se na epígrafe do livro Verdade e Método, do filósofo alemão Hans-Georg Gadamer (1900-2002).

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Fonte do poema