segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Oração a Eros

“O cristianismo deu veneno de beber a Eros; mas este não morreu, degenerou-se em vício”. (Nietzsche) 




“Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (João: I/4,16) 







Ouvi minha oração, mundo
Que ouve somente violência!
Se Amor é fundamental
onde está sua existência?

Amor, repleto de significados
Compreensão desencontrada
Amor à pátria, à profissão, 
                                           aos amigos
Aos pais, ao próximo,
                                           à namorada.


Eros, Filia e Ágape
Na Antiguidade,
Cada um espectro
De integrada identidade


Filia amor do amante
Desejo em plenitude
Amor do Filósofo à sabedoria
À verdade, ao bem 
                                           à virtude


Ágape, amor do amante
Do outro a descoberta
Expressão da experiência
Na individualidade 
                                           aberta


Eros? É deus
Senhor da criação!
Diziam Homero e Hesíodo
E Sócrates a Fedro, 
                                           em Platão


Eros, dom da inspiração!


Ascensão e loucura profética
Doce arrebatar d’ alma
Na real arte poética

Eros, causa primeira
Ânimo da existência
Sublimar amplo
Decurso em vivência

Não à estática da posse!
Eros é devir movimento
Eternidade e constância
Puro aperfeiçoamento

Eros, plenitude do amor!


Eros, desejada divindade,
De veneno embriagado,
Não morreu
tornou-se viciado

Quão grave pecado!
Ouvi a prece, oh, Eros
Não nos deixeis

        abandonados



Jan.2013

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